E aí que a internet se revoltou nessa semana com a matéria na
qual criticava o corpo da Fernanda Gentil, repórter considerada a musa da Copa.
As críticas foram totalmente plausíveis, afinal, o trabalho
e a vida da Fernanda independem da forma do corpo dela. E a matéria ficou ainda
mais vergonhosa quando se revelou que a repórter está grávida.
Mas eu queria chamar a atenção aqui especificamente para o
tipo de reportagem e como ela foi montada.
Para quem não teve a oportunidade de ver a matéria (ela foi
retirada do ar, após pedido de desculpas do R7), ela mostrava diversas fotos da
Fernanda Gentil durante uma ida à praia.
As fotos estavam montadas em uma galeria, onde cada legenda
criticava um pouco do corpo da repórter.
Esse tipo de matéria é muito comum no R7, porque a cada vez
que você clica em uma figura, representa um clique a mais para o portal.
Ou seja, normalmente você clica uma vez, lê a matéria e
fecha página. Nesse caso, você clica uma, duas, três, quatro até dez vezes para
ver a matéria inteira e só depois fechar.
Então, ao invés do portal ter apenas um clique, ele terá 10
cliques. E a conta vai aumentando a cada usuário que fizer o mesmo processo.
Mas por que os portais se interessam nisso?
Simples, as áreas com mais cliques (ou seja, mais audiência)
poderão cobrar mais alto na hora de um anúncio. Isto é, os portais ganham
dinheiro com os cliques (não muito, mas ganham).
Esse processo é muito parecido com o chamado jornalismo sensacionalista.
Mas como é isso?
Esse tipo de jornalismo se interessa pela audiência, não
pela informação. Ou seja, ele vai dar ao público o que ele quer e não o que ele
precisa.
Exemplo: Você precisa saber os locais onde há interrupção de
trânsito antes de sair para o trabalho. Mas não precisa ver a fratura exposta
da vítima do acidente que interrompeu o trânsito. Apesar disso, a fratura dá
mais audiência do que a informação. Então adivinha o que vai ao ar?
Um ótimo filme para entender
isso é “O Abutre” de Dan Gilroy, lançado aqui no Brasil em dezembro. O
filme tem como protagonista Louis Bloom,
interpretado por Jake Gyllenhaal, que
resolve investir no jornalismo criminal e vender histórias e imagens
para os jornais.
O que mais me chamou a atenção no filme foi essa dualidade:
dar ao público o que ele quer ou ser comprometido com a informação, por mais
que isso não te dê audiência, logo, não te dê dinheiro?
Mas vocês devem estar se perguntando: como parar com isso?
Simples: não assista a esses programas. Não clique. Não dê audiência.
Veículos de comunicação são empresas. Elas só investem
naquilo que lhes dá dinheiro. E na comunicação, dinheiro é igual a audiência.
Se não dá audiência, retira do ar.
É o que aconteceu no caso da Fernanda Gentil. A repercussão foi
extremamente negativa. Todos criticaram. Aquilo não rendeu boa audiência, ou
seja, o portal optou por retirar do ar e pedir desculpas, e não ter problemas
com uma imagem negativa, que consequentemente não lhe traria bons anúncios e
assim dinheiro.

