quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Fernanda Gentil e a busca incessante dos portais por cliques



E aí que a internet se revoltou nessa semana com a matéria na qual criticava o corpo da Fernanda Gentil, repórter considerada a musa da Copa.

As críticas foram totalmente plausíveis, afinal, o trabalho e a vida da Fernanda independem da forma do corpo dela. E a matéria ficou ainda mais vergonhosa quando se revelou que a repórter está grávida.

Mas eu queria chamar a atenção aqui especificamente para o tipo de reportagem e como ela foi montada.

Para quem não teve a oportunidade de ver a matéria (ela foi retirada do ar, após pedido de desculpas do R7), ela mostrava diversas fotos da Fernanda Gentil durante uma ida à praia.
As fotos estavam montadas em uma galeria, onde cada legenda criticava um pouco do corpo da repórter.

Esse tipo de matéria é muito comum no R7, porque a cada vez que você clica em uma figura, representa um clique a mais para o portal.

Ou seja, normalmente você clica uma vez, lê a matéria e fecha página. Nesse caso, você clica uma, duas, três, quatro até dez vezes para ver a matéria inteira e só depois fechar.

Então, ao invés do portal ter apenas um clique, ele terá 10 cliques. E a conta vai aumentando a cada usuário que fizer o mesmo processo.

Mas por que os portais se interessam nisso?

Simples, as áreas com mais cliques (ou seja, mais audiência) poderão cobrar mais alto na hora de um anúncio. Isto é, os portais ganham dinheiro com os cliques (não muito, mas ganham).

Esse processo é muito parecido com o chamado jornalismo sensacionalista.

Mas como é isso?

Esse tipo de jornalismo se interessa pela audiência, não pela informação. Ou seja, ele vai dar ao público o que ele quer e não o que ele precisa.

Exemplo: Você precisa saber os locais onde há interrupção de trânsito antes de sair para o trabalho. Mas não precisa ver a fratura exposta da vítima do acidente que interrompeu o trânsito. Apesar disso, a fratura dá mais audiência do que a informação. Então adivinha o que vai ao ar?

Um ótimo filme para entender  isso é “O Abutre” de Dan Gilroy, lançado aqui no Brasil em dezembro. O filme tem como protagonista Louis Bloom, interpretado por Jake Gyllenhaal, que  resolve investir no jornalismo criminal e vender histórias e imagens para os jornais.




O que mais me chamou a atenção no filme foi essa dualidade: dar ao público o que ele quer ou ser comprometido com a informação, por mais que isso não te dê audiência, logo, não te dê dinheiro?

Mas vocês devem estar se perguntando: como parar com isso?

Simples: não assista a esses programas. Não clique. Não dê audiência.

Veículos de comunicação são empresas. Elas só investem naquilo que lhes dá dinheiro. E na comunicação, dinheiro é igual a audiência. Se não dá audiência, retira do ar.

É o que aconteceu no caso da Fernanda Gentil. A repercussão foi extremamente negativa. Todos criticaram. Aquilo não rendeu boa audiência, ou seja, o portal optou por retirar do ar e pedir desculpas, e não ter problemas com uma imagem negativa, que consequentemente não lhe traria bons anúncios e assim dinheiro.







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