quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Tá no Ar foi preconceituoso? Foi racista?







As imagens acima foram retiradas de uma página do jornal Diário do Rio de Janeiro do dia 2 de janeiro de 1840. A página pode ser encontrada neste link: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=094170_01&PagFis=22454

Os anúncios estão em uma espécie de classificados da época, misturados com outros anúncios de venda de cavalos e terrenos. Há até uma seção especial para anunciar escravos fugidos.




Publico isso aqui, porque só hoje fui ver o texto escrito em um blog dentro da Carta Capital.

O texto em si chama a atenção de que um quadro do humorístico Tá no Ar estaria sendo racista e até mesmo reforçando estigmas e estereótipos. O texto pode ser visto neste link: http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2015/02/14/rede-globo-o-racismo-ta-no-ar-ou-quer-acoitar-quantos/

Quando vi o vídeo do quadro lembrei imediatamente de anúncios vistos em jornais antigos. O mesmo aconteceu quando vi o texto e opiniões de outras pessoas sobre o mesmo assunto.

Ao contrário do texto, não acredito que o objetivo do quadro era reforçar um estereótipo, mas sim, mostrar de uma forma humorada que um dia a gente já foi capaz de anunciar um ser humano como objeto (o que é imperdoável).

Se prestarem bem atenção na primeira frase, o programa deixa claro que aquele é um comercial do século 19 e não do século 21. Ou seja, as pessoas na paródia da propaganda irão agir e pensar como as pessoas do século 19 e não do século 21.

Em seguida você vê a proposta de imaginar como seria uma propaganda do século 19 no formato de uma propaganda no século 21. Lembrando que a propaganda como conhecemos começou a ser mais desenvolvida (com teorias e etc) apenas no século 20.

E aí nasceu o vídeo.

Porém, você deve pensar: “o telespectador comum pode não saber desses tipos de anúncios do século 19 e pode não entender que é apenas uma proposta de imaginar uma propaganda do século 19 no formato do século 21”. Ok, isso realmente pode acontecer.

Mas é aí que eu acho que vem a sacada mais incrível do programa e que o diferencia ainda mais dos outros: ele se auto critica, e se critica ainda mais criticando quem o critica e a própria crítica em si.

Logo em seguida a esse quadro, o telespectador comum assistiu a um vídeo de um esquerdista fazendo essa mesma crítica do texto do link.

O telespectador pode apenas achar graça ou pode ter a oportunidade de pensar por si e avaliar o que é o quadro.

Por isso ele é diferente do Zorra Total, por exemplo. 

O Tá no Ar pode apresentar uma piada com estereótipo, como todo mundo faz, mas em seguida consegue ao mesmo tempo manter o humor se criticando.



Em tempo: É válido situações dessas porque não nos deixa esquecer que algum dia nós fomos capazes de cometer atrocidades por dinheiro. Temos que lembrar todo dia para não cometer esse erro novamente. E esse lembrete tem que vir de qualquer jeito, seja em forma de humor ou drama.

Em tempo (2): Quem gosta de história ou jornais antigos pode visitar o site da Biblioteca Nacional. Lá tem jornais de vários anos, desde 1680 até 2014...Segue o link: http://memoria.bn.br/