As imagens acima foram retiradas de uma página do jornal
Diário do Rio de Janeiro do dia 2 de janeiro de 1840. A página pode ser
encontrada neste link: http://memoria.bn.br/DocReader/docreader.aspx?bib=094170_01&PagFis=22454
Os anúncios estão em uma espécie de classificados da época,
misturados com outros anúncios de venda de cavalos e terrenos. Há até uma seção
especial para anunciar escravos fugidos.
Publico isso aqui, porque só hoje fui ver o texto escrito em
um blog dentro da Carta Capital.
O texto em si chama a atenção de que um quadro do humorístico
Tá no Ar estaria sendo racista e até mesmo reforçando estigmas e estereótipos.
O texto pode ser visto neste link: http://negrobelchior.cartacapital.com.br/2015/02/14/rede-globo-o-racismo-ta-no-ar-ou-quer-acoitar-quantos/
Quando vi o vídeo do quadro lembrei imediatamente de anúncios
vistos em jornais antigos. O mesmo aconteceu quando vi o texto e opiniões de
outras pessoas sobre o mesmo assunto.
Ao contrário do texto, não acredito que o objetivo do quadro
era reforçar um estereótipo, mas sim, mostrar de uma forma humorada que um dia
a gente já foi capaz de anunciar um ser humano como objeto (o que é imperdoável).
Se prestarem bem atenção na primeira frase, o programa deixa
claro que aquele é um comercial do século 19 e não do século 21. Ou seja, as
pessoas na paródia da propaganda irão agir e pensar como as pessoas do século
19 e não do século 21.
Em seguida você vê a proposta de imaginar como seria uma
propaganda do século 19 no formato de uma propaganda no século 21. Lembrando
que a propaganda como conhecemos começou a ser mais desenvolvida (com teorias e
etc) apenas no século 20.
E aí nasceu o vídeo.
Porém, você deve pensar: “o telespectador comum pode não
saber desses tipos de anúncios do século 19 e pode não entender que é apenas
uma proposta de imaginar uma propaganda do século 19 no formato do século 21”.
Ok, isso realmente pode acontecer.
Mas é aí que eu acho que vem a sacada mais incrível do
programa e que o diferencia ainda mais dos outros: ele se auto critica, e se
critica ainda mais criticando quem o critica e a própria crítica em si.
Logo em seguida a esse quadro, o telespectador comum assistiu
a um vídeo de um esquerdista fazendo essa mesma crítica do texto do link.
O telespectador pode apenas achar graça ou pode ter a
oportunidade de pensar por si e avaliar o que é o quadro.
Por isso ele é diferente do Zorra Total, por exemplo.
O Tá
no Ar pode apresentar uma piada com estereótipo, como todo mundo faz, mas em
seguida consegue ao mesmo tempo manter o humor se criticando.
Em tempo: É válido situações dessas porque não nos deixa
esquecer que algum dia nós fomos capazes de cometer atrocidades por dinheiro.
Temos que lembrar todo dia para não cometer esse erro novamente. E esse
lembrete tem que vir de qualquer jeito, seja em forma de humor ou drama.
Em tempo (2): Quem gosta de história ou jornais antigos pode
visitar o site da Biblioteca Nacional. Lá tem jornais de vários anos, desde
1680 até 2014...Segue o link: http://memoria.bn.br/




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