quarta-feira, 22 de abril de 2015

Vaga de Jornalista! Pré-requisito: Ter CNPJ



E daí que fui demitida e decidi usar o dinheiro da indenização num intercâmbio. Voltei pobre e desempregada, tendo como passatempo a busca por vagas de emprego de jornalista.

A cada vez que olho os sites e grupos de emprego, a minha esperança na profissão vai morrendo um pouco.

Nas descrições das vagas pede-se tudo, desde faculdade de administração até só ter conhecimento em redes sociais e saber escrever. Óbvio que não preciso nem falar da remuneração, ponto em que até professores sentiriam pena de nós, meros jornalistas.

Mas o que tenho visto com frequência é o pedido para que o candidato ao emprego tenha CNPJ. O significado é simples: você trabalhará normalmente como um empregado, tendo as mesmas tarefas de um contratado pela CLT, mas na teoria estará apenas prestando um serviço à empresa. Nada mais que a terceirização do empregado.

Por isso a lei da terceirização me espanta. Sei que é preciso de uma regulamentação no setor, sou uma profissional em uma profissão não regulamentada e sei a bagunça disso.

Mas como essa lei vai funcionar na prática para um caso como o anterior? É o próprio jornalista que vai fiscalizar se ele está sendo registrado na CLT? Ele mesmo vai se auto empregar? O dono da empresa pode assinar sua própria carteira? Uma redação de jornal poderá ficar cheia de prestadores de serviço?

A cada vez que leio, mais perguntas surgem e, sinceramente, não consigo pensar em respostas positivas.

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